A pesquisa recente publicada no Academy of Management Journal, conduzida por Ruixiang Song, David J. Ketchen, Wei Shi e Brian L. Connelly, explora uma tática estratégica crucial: a gestão antecipada da impressão. O estudo detalha como as empresas empregam um “enquadramento positivo” em suas comunicações quando um concorrente é alvo de ataques por vendedores a descoberto, buscando mitigar potenciais repercussões negativas e proteger sua própria reputação no mercado.
Os ataques de vendedores a descoberto representam um desafio significativo para as empresas, pois envolvem a aposta na queda do preço das ações de uma companhia, muitas vezes acompanhada de publicações de relatórios críticos. Embora direcionados a uma empresa específica, esses ataques podem gerar incerteza e desconfiança em todo o setor, afetando a percepção de investidores e a estabilidade de companhias similares, mesmo aquelas que não estão sob escrutínio direto.
Neste cenário volátil, a gestão antecipada da impressão surge como uma ferramenta estratégica proativa. Em vez de reagir a uma crise interna, as empresas buscam antecipar os efeitos de um evento adverso que atinge um rival. O objetivo é criar uma narrativa que reforce a solidez, a ética e o bom desempenho da própria organização, antes que a sombra da desconfiança se estenda por todo o segmento de mercado.
“Ao invés de esperar que a crise de um concorrente se alastre, empresas proativas constroem uma imagem de resiliência e distinção.”
O “enquadramento positivo” é a pedra angular dessa estratégia, conforme analisado pelos pesquisadores. Ele se manifesta por meio de diversas ações de comunicação que visam destacar os pontos fortes da empresa, como resultados financeiros robustos, práticas de governança corporativa transparentes, inovações de produto ou compromissos com a sustentabilidade. A intenção é desviar a atenção do pânico do mercado para atributos que gerem confiança e estabilidade.
Ao adotar essa abordagem, as empresas buscam não apenas proteger sua imagem, mas também capitalizar sobre a vulnerabilidade de um rival. Isso pode levar ao fortalecimento da lealdade de investidores, clientes e talentos, que tendem a buscar refúgio em organizações percebidas como mais seguras e confiáveis em tempos de turbulência setorial, transformando um risco em uma oportunidade estratégica.
“A agilidade na comunicação e a capacidade de diferenciar-se são cruciais para a sobrevivência em ambientes de mercado hostis.”
A pesquisa sublinha a relevância de uma comunicação corporativa sofisticada e de uma gestão de riscos que transcenda as fronteiras internas da organização. Em um mercado interconectado, a reputação de uma empresa pode ser influenciada por eventos externos inesperados, exigindo que os conselhos e as equipes de liderança estejam preparados para responder de maneira estratégica e antecipatória.
As descobertas de Song, Ketchen, Shi e Connelly oferecem insights práticos para executivos e gestores de comunicação. Eles sugerem que as empresas devem monitorar ativamente o ambiente competitivo, não apenas para identificar ameaças diretas, mas também para antecipar cenários de crise que possam afetar seus pares e, consequentemente, o próprio valor de mercado.
Em suma, a capacidade de moldar a percepção pública através de um enquadramento positivo, mesmo quando a adversidade atinge outro player do setor, é uma habilidade distintiva que pode determinar a resiliência e o sucesso a longo prazo de uma organização. O estudo destaca que a gestão da impressão não é apenas uma reação, mas uma estratégia proativa essencial na complexa dinâmica do capitalismo moderno.