Sameer Bharadwaj, CEO e presidente da Orbia, uma companhia global de soluções sustentáveis, concedeu entrevista à MIT Sloan Management Review para detalhar como a empresa tem navegado por um período de intensa volatilidade global desde que ele assumiu o cargo em 2021. Nesse desafiador cenário, a Orbia, que transformou-se de uma empresa química regional para uma provedora global de soluções sustentáveis, viu sua receita anual flutuar de dois bilhões de dólares por dois anos consecutivos, pós-pandemia, para uma projeção atual entre 1,1 bilhão e 1,2 bilhão de dólares.
Apesar de manter a lucratividade em todos os seus negócios, o período foi marcado por incertezas significativas. Muitas das operações da Orbia são intrinsecamente ligadas à infraestrutura, o que as torna vulneráveis a ambientes de alta inflação e taxas de juros elevadas. Além disso, a companhia enfrentou a necessidade de reestruturar completamente suas operações e realizar a saída do mercado russo em consequência da guerra na Ucrânia, demonstrando a complexidade do ambiente operacional.
Diante desses desafios, Sameer Bharadwaj enfatiza que os fundamentos dos negócios da Orbia permanecem inalterados, acreditando que o mercado eventualmente se recuperará. A estratégia da empresa no interim é posicionar-se para se beneficiar dessa recuperação, otimizando sua pegada operacional, ajustando sua estrutura de custos e implementando uma rigorosa disciplina fiscal em todas as suas divisões, garantindo a solidez financeira.
"Os fundamentos dos negócios em que atuamos não mudaram. Haverá um momento em que os mercados se reverterão, o mundo se estabilizará, as taxas de juros cairão e a demanda retornará", declarou Sameer Bharadwaj.
O foco estratégico da Orbia inclui a promoção da excelência comercial e a implementação de precificação estratégica, consideradas fundamentais para gerenciar o negócio em tempos difíceis. Paralelamente, a empresa trabalha para preservar sua participação de mercado e continuar inovando para desenvolver soluções aos clientes, enquanto mantém seus colaboradores motivados, uma tarefa descrita como incrivelmente árdua, mas essencial.
Para resistir às pressões de resultados trimestrais, a Orbia conta com um forte pilar de governança: a família fundadora del Valle detém mais de 50% do controle acionário, o que permite uma perspectiva de longo prazo alinhada com seu propósito de "investir em um futuro digno de herança". Essa estrutura, combinada com a base de investidores, muitos deles fundos europeus com foco em sustentabilidade, reforça o compromisso da empresa com seus objetivos de longo prazo.
O posicionamento da Orbia para o futuro está intrinsecamente ligado a áreas de crescimento significativo, como a cadeia de flúor na transição energética. O flúor é um componente crucial em baterias de íons de lítio, e a Orbia é a única capaz de assegurar a cadeia de suprimentos norte-americana desse mineral, possuindo a maior mina de fluorita do mundo no México, que representa entre 15% e 20% das reservas globais.
A revolução da inteligência artificial também está impulsionando exponencialmente a demanda por armazenamento estacionário de energia, essencial não apenas para fontes renováveis, mas também para a estabilização da rede elétrica. Embora a adoção de veículos elétricos possa desacelerar temporariamente, as forças de mercado subjacentes continuarão a impulsionar o crescimento nesse setor.
As forças de mercado, mesmo com uma possível pausa na adoção de veículos elétricos, são tidas como garantidoras do crescimento contínuo, segundo a perspectiva da liderança da companhia.
Com o intuito de investir e expandir nessas áreas promissoras, a Orbia está realizando uma avaliação criteriosa de todo o seu portfólio. Em algum momento, a empresa poderá ter que tomar decisões estratégicas sobre quais negócios manter e quais poderiam ter um desempenho melhor sob uma propriedade diferente, solidificando seu compromisso com a inovação e soluções sustentáveis para o futuro.