A edição de Inverno de 2026 da MIT Sloan Management Review apresenta um guia abrangente de artigos essenciais para líderes empresariais que buscam navegar na crescente complexidade do mercado global. A publicação destaca a importância do planejamento de cenários, da liderança eficaz e da inovação responsável como ferramentas cruciais para enfrentar incertezas e impulsionar o crescimento. Um dos pontos mais relevantes é a abordagem integrada do planejamento de cenários com outras práticas estratégicas para maximizar a capacidade de resposta das empresas.
As análises detalhadas abordam desde métodos para tornar o planejamento de cenários mais eficaz e ágil, até a identificação de elementos constantes em ambientes de mudança, passando pela aplicação de inteligência artificial para otimizar a criação de futuros potenciais. A relevância desses tópicos é sublinhada pela necessidade de as organizações desenvolverem uma visão estratégica robusta em um cenário global dinâmico, onde a antecipação e a adaptação são imperativas para a sustentabilidade e o sucesso.
Paul J.H. Schoemaker e Shardul S. Phadnis enfatizam que as empresas reagem melhor à incerteza ao combinar o planejamento de cenários com outras práticas estratégicas, propondo um modelo conceitual com três fases e capacidades organizacionais cruciais. Complementarmente, Cynthia Selin destaca a necessidade de líderes identificarem o que não vai mudar – restrições físicas, temporais, institucionais, políticas e culturais – para focar o pensamento estratégico em meio a um mar de incógnitas. Essas abordagens visam aprimorar a capacidade de antecipar e reconhecer fatores constantes na elaboração de estratégias.
“Empresas são mais capazes de responder à incerteza crescente quando combinam planejamento de cenários com outras práticas estratégicas.”
Rafael Ramírez, Trudi Lang, Joakim Köhler e Matt Mennell propõem uma metodologia mais rápida para construir cenários futuros, focando em suposições não reconhecidas pelos líderes e utilizando inteligência artificial generativa. Já Jacqueline Koay, John Lewis, Julia Giese e Melissa Davey compartilham a experiência do Bank of England, que ampliou suas perspectivas futuras ao integrar culturas narrativas e quantitativas. A iniciativa visou melhorar a varredura de horizontes para gerenciar novos riscos, como negociação algorítmica e ciberataques, desafiando premissas e informando decisões.
No campo da liderança, Hannes Leroy, Michael A. Daniels, Kristin L. Cullen-Lester e Alexandra Gerbasi questionam a autenticidade, argumentando que a verdadeira liderança autêntica exige estar ancorado em valores profundos, cultivar a autoconsciência e silenciar o ego. Eles concluem que o compromisso com valores pessoais, aliado à humildade, é o que realmente une equipes em prol de mudanças positivas. Este enfoque oferece um contraponto crítico à noção simplista de “ser você mesmo” na liderança.
A autenticidade na liderança se manifesta através do compromisso com valores pessoais, do autoconhecimento e da gestão do ego, não apenas da expressão de si mesmo.
Elizabeth J. Altman, Mary Tripsas, Tommaso Buganza e Daniel Trabucchi investigam como o “nesting” — quando empresas de plataforma se hospedam ou se incorporam em outras plataformas — redefine as estratégias de negócios. Essa prática abre novas oportunidades de acesso a mercados e clientes, ao mesmo tempo em que apresenta riscos estratégicos que podem afetar a integridade da marca e os relacionamentos com os consumidores. As entrevistas com executivos de plataformas anfitriãs e aninhadas revelam insights cruciais para orientar as decisões estratégicas nesse ambiente dinâmico.
Chris K. Anderson e Fredrik Ødegaard alertam sobre os perigos da precificação algorítmica, destacando que sistemas de gestão de receita baseados em algoritmos podem expor as empresas a riscos legais significativos, incluindo acusações de conluio implícito. Eles sugerem que as organizações reduzam esses riscos utilizando algoritmos que dependam de tomada de decisão descentralizada e apenas de dados publicamente disponíveis. A crescente intervenção regulatória federal reforça a urgência de uma abordagem cautelosa e transparente.
Öykü Işık e Ankita Goswami exploram os três obstáculos que retardam a IA responsável – desafios de responsabilidade, estratégia e recursos – e propõem cinco estratégias para superá-los, como estruturar a propriedade no nível do projeto e integrar a ética nos procedimentos diários. Em um contexto de ativismo corporativo, Julia Binder e Heather Cairns-Lee sugerem uma abordagem de “ativismo corporativo silencioso” para sustentar compromissos com causas sociais em um clima político hostil, evitando reações adversas através de comunicações discretas e estratégicas.
Finalmente, Ivanka Visnjic, Felipe Monteiro, Michael Tushman e Ernesto Ciorra argumentam que a sustentabilidade, quando integrada à inovação, pode se tornar uma poderosa oportunidade de crescimento, e não apenas uma obrigação de conformidade. Ao invés de ser vista como um fardo regulatório, a sustentabilidade pode impulsionar o desenvolvimento de novos produtos e parcerias colaborativas, envolvendo stakeholders internos e externos em um objetivo coletivo. Este posicionamento estratégico é crucial para empresas que buscam liderar em um futuro mais consciente e inovador.