A crescente tendência de empresas reduzirem ou cessarem a divulgação pública de seus investimentos em sustentabilidade, mesmo enquanto os mantêm ou aumentam em relação a 2024, tem sido identificada como a “armadilha do greenhushing”. Um relatório de julho de 2025 indicou que 39% das empresas norte-americanas entrevistadas adotaram essa postura, um silêncio que, segundo especialistas, pode minar seriamente as ambições de sustentabilidade de uma organização.
Pesquisas recentes, fundamentadas em uma análise abrangente de 15 anos de dados ESG e relatórios 10-K, demonstram que a comunicação de metas ousadas de sustentabilidade por parte das empresas pode ativar processos internos, promover alinhamento e gerar o ímpeto necessário para o alcance desses objetivos. Contudo, um excesso de informações ou promessas pode, paradoxalmente, obstruir a concretização dessas mesmas metas, revelando uma relação em forma de “U invertido” entre a comunicação e a ação efetiva.
Essa dinâmica entre a comunicação e a ação possui três implicações estratégicas fundamentais para os gestores que buscam impulsionar a sustentabilidade em suas organizações. Primeiramente, é crucial reconhecer que, para efetivar uma transformação no modelo de negócios, a comunicação é indispensável. Articular a visão e os objetivos de sustentabilidade de uma empresa não apenas clarifica sua identidade para os colaboradores, mas também direciona suas ações para um alinhamento consistente com as metas ambientais, sociais e de governança (ESG).
“Comunicar claramente a visão de sustentabilidade de uma empresa é fundamental para mobilizar a equipe interna e aumentar a responsabilidade perante os stakeholders externos”, afirmam os pesquisadores.
Em segundo lugar, a comunicação deve ser estratégica e equilibrada, evitando promessas excessivas. A supercomunicação sobre sustentabilidade pode, na verdade, dificultar a realização dos objetivos. É essencial otimizar o nível de discurso para balancear aspiração com viabilidade, estabelecendo metas claras que não sobrecarreguem os gestores, previnam conflitos internos e preservem a credibilidade junto aos stakeholders externos, garantindo que as expectativas sejam realistas e alcançáveis.
Por fim, é vital compreender que a transformação rumo à sustentabilidade geralmente se desenrola em estágios, exigindo um espaço entre as palavras e as ações concretas. A comunicação inicial define a direção e as expectativas, passos simbólicos constroem as estruturas necessárias e, gradualmente, a mudança substantiva integra a sustentabilidade ao cerne das operações do negócio. Reconhecer e comunicar essas fases ajuda as lideranças a gerenciar expectativas, manter a credibilidade e sustentar o ímpeto, mesmo quando os resultados levam tempo para se materializar.
A melhor abordagem, conforme o estudo, é a transparência contínua, que permite o acompanhamento e ajuste das estratégias.
Nesse contexto, o silêncio não representa neutralidade, mas sim uma oportunidade perdida de liderar a transformação. A transparência e a comunicação assertiva sobre os progressos e desafios são elementos catalisadores para o sucesso das iniciativas de sustentabilidade, capacitando as empresas a engajar internamente e a construir confiança com o público e investidores.
Ignorar o papel estratégico da comunicação pode levar as empresas a um beco sem saída, onde seus esforços internos permanecem invisíveis e seu potencial de impacto positivo é subaproveitado. Portanto, a chave para uma jornada sustentável bem-sucedida reside na capacidade de comunicar de forma eficaz, realista e em sintonia com a evolução dos compromissos corporativos.