
A inteligência artificial está reconfigurando a forma como atividades são desempenhadas no mundo empresarial, porém de maneira desigual. Apesar do avanço em áreas como codificação, condução de veículos e diagnóstico de doenças, seu progresso é irregular. Setores onde a presença humana é fundamental, como no atendimento ao cliente e suporte de escritório, podem enfrentar declínio de demanda. No entanto, áreas que requerem julgamento clínico como saúde, devem ver aumento significativo na procura por profissionais qualificados até 2030.
A consultoria McKinsey & Co. destaca que a adoção da IA não é uniforme nem mesmo dentro das próprias funções. Enquanto tarefas repetitivas são rapidamente automatizadas, outras, que dependem de julgamento ou supervisão humana, apresentam maior resistência. Os fatores de fricção, como regulação e necessidade de certeza humana, influenciam decisivamente o ritmo da automação.
A evolução da automação é dividida em três estágios: assistência, transformação e substituição completa. No primeiro estágio, a IA realiza tarefas estruturadas e repetitivas. No segundo, há uma mudança significativa de responsabilidade, com foco em interpretação e supervisão humanas. O estágio final, em que a automação é total, ainda está distante para muitas profissões, em parte devido às complexidades envolvidas.
"A questão não é se a IA substituirá uma função inteira, mas quais tarefas ela poderá realizar autonomamente," destacam analistas.
A presença de pilotos humanos ainda é essencial na aviação comercial, mesmo com sistemas avançados de piloto automático. A segurança dos passageiros, regulamentações e a necessidade de julgamento humano limitam a substituição total. No entanto, para carga e operações militares, onde as restrições são menores, a automação avança de forma mais rápida.
Em medicina, enquanto a IA já aprimora diagnósticos radiológicos, o atendimento direto ao paciente continua a exigir complexidade e profundidade relacional humanas. No desenvolvimento de software, apesar do uso crescente de ferramentas automáticas, a resolução de problemas complexos ainda requer intervenção humana. A adaptação está em curso, mas é desigual entre e dentro das profissões.
Fatores como profundidade relacional, inércia e regulamentações moldam o progresso da automação, determinando os diferentes ritmos de avanço.
Na educação, por exemplo, embora a IA auxilie no processo de aprendizado individual, a dinâmica em sala de aula e a interação emocional continuam a depender de educadores humanos. Resistências a mudanças e barreiras de custo desafiam ainda mais a adoção da tecnologia.
A condução autônoma mostra que, mesmo com demonstração técnica, barreiras como regulação e variáveis humanas locais limitam a adoção integral. O progresso difere entre cidades, estados e contextos infraestruturais.
A emergência da IA já está moldando futuras práticas profissionais. Líderes precisam focar na integração gradual da inteligência artificial, entendendo que a mudança se dará de forma progressiva e tarefa por tarefa. Apesar de setores como ensino e advocacia manterem-se humanos por longo período, o papel da IA nos negócios está em constante evolução. As empresas devem investir em requalificação e evolução de funções baseadas em critérios de mudança aplicáveis a cada setor, evitando alarmismo sem fundamento.