Um estudo recente, baseado em análises de 2.800 empresas de capital aberto nos Estados Unidos com mais de um bilhão de dólares em receita, revelou que apenas 26% delas possuem conselhos considerados “digital e AI-savvy”. Essa nova categoria de conselhos, definida por ter três ou mais diretores com experiência em tecnologias digitais avançadas, como IA generativa, agentes de IA e robótica, está impulsionando um desempenho financeiro dramaticamente superior em comparação com seus pares.
Em 2019, a mesma pesquisa indicava que apenas 24% das grandes empresas americanas possuíam conselhos “digitalmente experientes”, e estas já demonstravam um desempenho 30% superior em crescimento de capitalização de mercado. No entanto, até 2024, a proficiência digital se tornou um padrão básico, com 72% das empresas atendendo aos critérios de 2019, e essa competência não mais se correlacionava com uma performance financeira destacada, evidenciando a crescente exigência tecnológica.
As empresas com conselhos digital e AI-savvy registraram, em média, um retorno sobre o patrimônio líquido 10,9 pontos percentuais acima da média de suas respectivas indústrias. Em contrapartida, aquelas com conselhos sem essa expertise apresentaram uma média de 3,8 pontos percentuais abaixo. Adicionalmente, as empresas com conselhos tecnologicamente avançados possuíam capitalizações de mercado significativamente maiores, superando a média da indústria em 15,5 bilhões de dólares, enquanto as demais ficaram 5,4 bilhões de dólares abaixo.
A constante evolução tecnológica eleva o patamar de exigência para a eficácia dos conselhos, tornando a familiaridade com a inteligência artificial e tecnologias emergentes um diferencial crucial para o sucesso.
Essa disparidade de desempenho é perceptível em diversos setores, embora com variações notáveis. Os serviços de informação (68%) e serviços profissionais (52%) lideram na presença de conselhos com expertise em IA, seguidos por finanças e seguros (31%). Por outro lado, setores como saúde (8%), mineração (4%), construção (6%) e varejo-automotivo (11%) demonstram um preocupante atraso na incorporação dessa expertise em seus conselhos.
Para gerenciar a crescente complexidade digital e manter a competitividade, os conselhos bem-sucedidos estão estruturando seu foco em três áreas principais: estratégia, defesa e supervisão. A estratégia envolve a análise de oportunidades e ameaças relacionadas à IA e ao universo digital; a defesa se concentra na proteção contra riscos cibernéticos e na garantia de conformidade com regulamentações e melhores práticas de segurança; e a supervisão assegura o uso aceitável de dados e o acompanhamento da criação de valor.
Com a elevação contínua dos requisitos tecnológicos para a efetividade dos conselhos, a expertise digital genérica não é mais um diferencial competitivo.
A conclusão do estudo enfatiza que a barra tecnológica para a eficácia dos conselhos está em constante ascensão. Conselhos com uma expertise digital generalizada não são mais vistos como um diferencial competitivo. Apenas aqueles que se mantêm atualizados com a inteligência artificial e outras tecnologias emergentes são capazes de impulsionar um desempenho superior e garantir a relevância da empresa no cenário de negócios moderno.