AI antropomórfica no trabalho: benefícios e desafios no escritório

Estudo analisa respostas emocionais a agentes de IA com características humanas em ambientes de trabalho

21/11/2025 às 11:52
Por: Redação

O uso de assistentes virtuais, como Alexa e Siri, tornou-se comum nos últimos anos, fornecendo informações desde previsões do tempo até cálculos matemáticos. No entanto, a introdução de personagens antropomórficos, ou seja, com características humanas, nos ambientes de escritório levanta questões sobre seus benefícios e desvantagens, assim como as implicações no ambiente de trabalho.

 

Professor Jochen Menges, da Cambridge Judge Business School e da Universidade de Zurique, coautor de um estudo recente, destacou a importância de entender como os funcionários se relacionam emocionalmente com agentes de IA com traços de personalidade distintos. Com a previsão de que os ambientes de trabalho mesclarão o real com o virtual, este entendimento se torna ainda mais relevante.

 

Do assistente virtual ao escritório: ascensão da IA antropomórfica

"No desenvolvimento de agentes de IA centrados no usuário, é vital considerar as emoções dos usuários", afirma Jochen Menges. Ele aponta que chatbots iniciais, com vozes robóticas, eram pouco flexíveis. A pesquisa revela que aspectos antropomórficos, como entonação, estilo de conversação e aparência, podem fortalecer as emoções positivas dos usuários, embora falhas no design possam ter efeitos negativos.


"Foco nos aspectos emocionais é crucial para a eficácia dos agentes de IA no ambiente corporativo", comenta Jochen.


A pesquisa, intitulada "When AI Gets Personal", foi conduzida por Jochen e outros coautores, avaliando como IA antropomórfica pode engajar os funcionários de maneira produtiva.

 

Análise de agentes de IA: de texto a colegas humanóides

O estudo examinou a reação de funcionários na Suíça a três tipos de agentes de IA, utilizando um ambiente virtual com exibição em capacete:

 

- Agentes de texto limitados a respostas curtas;

- Robôs de mesa com características antropomórficas;

- Agentes altamente antropomórficos com traços humanos pronunciados.


A interação com agentes visuais evoca respostas emocionais semelhantes às recebidas por pessoas reais, destacam os autores do estudo.


As descobertas revelaram novos tipos de emoções, incluindo surpresa e uma curiosidade aguçada na interação com tais agentes.

 

Efeitos positivos: confiança em IA humanóide

O conceito de "asseguração relacional" demonstrado no estudo descreve como a familiaridade com a IA pode gerar confiança, mesmo quando as interações não fluem tão bem. Muitos participantes relataram se sentir mais confortáveis com agentes de IA humanóides, indicando um incremento na confiança e interação.

 

Efeitos negativos: percepções de inutilidade e perda de autonomia

Alguns participantes ressentiram-se com a aparência humanóide dos agentes, manifestando desconforto e sentimentos de perda de autonomia. O estudo sugere que essas reações podem ser mitigadas com treinamento e diretrizes claras, enfatizando o papel de IA como ferramenta colaborativa.


Ajustes na aparência e funcionalidades podem evitar desapontamentos e aprimorar a experiência de interação, conclui o professor Jochen.


Adicionalmente, o estudo também recomenda que as expectativas visuais da IA sejam alinhadas com suas capacidades para evitar desapontamentos entre os usuários.

 

IA humanóide: mais que aparência, uma mudança de comportamento

O antropomorfismo vai além da aparência; afeta também o comportamento e a etiqueta no trato com a IA. Entre os participantes, houve maior polidez na interação com agentes humanóides, incluindo o uso frequente de "por favor" e "obrigado". Isso sugere uma experiência emocional mais rica e um aumento na confiança na IA.

 

Do espaço pessoal aos colegas de IA: um possível retorno aos velhos tempos?

Jochen Menges propõe que a evolução da IA possa nos trazer de volta a um ambiente tradicional de escritório, onde gerentes e assistentes trabalhavam lado a lado. "É possível que trabalhemos ao lado de agentes de IA antropomórficos que agiriam como membros genuínos da equipe", pondera Jochen, apontando para um futuro onde a colaboração entre humanos e IA se torne mais integrada.

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