Em outubro, durante uma apresentação, a professora e autora Brené Brown destacou um problema crescente nos ambientes de trabalho, afirmando que "as pessoas não estão bem". Essa declaração ecoa uma realidade visível em diversos locais, onde se multiplicam casos de descontrole emocional e desconfiança. Estudos recentes revelaram que 73% dos funcionários entrevistados relataram que suas dificuldades mentais impactaram negativamente seu desempenho, indicando um aumento preocupante de 42% em comparação ao ano anterior.
Nosso cotidiano revela o impacto dessa luta na vida de colegas, líderes e equipes, estendendo-se também a famílias e amigos. Brown atribui essa falta generalizada de bem-estar a fatores como turbulência política e o temor de que a inteligência artificial roube empregos. Ela aconselha os líderes a criarem espaços de reflexão mesmo frente a eventos rápidos, usando o pensamento sistêmico para compreender a constante espiral de acontecimentos.
"As pessoas precisam de espaço para pensar", aconselha Brené Brown.
Os líderes enfrentam o desafio de lidar com essa situação sem soluções prontas. Mesmo as opções como os planos de assistência a empregados parecem insuficientes diante da piora da situação. Identificar e apoiar os colegas nesse cenário intrincado torna-se essencial.
A primeira estratégia para lidar com o problema é reconhecer os sinais de que alguém não está bem. Assim como os animais que disfarçam suas fraquezas, pessoas no ambiente de trabalho tendem a esconder suas dificuldades, temendo consequências negativas. Para os gestores, é crucial identificar esses sinais sutis e surpreendentes precocemente. Dentre os indicadores, está a observação de emoções como tristeza, frustração e a ausência de reações emocionais.
A atenção aos detalhes pode revelar problemas: desde uma comunicação reduzida até comportamentos incomuns em reuniões.
Além disso, é importante buscar um entendimento das vidas pessoais dos colegas, sem fazer suposições precipitadas. Todos enfrentamos desafios fora do ambiente de trabalho, e as mesmas dificuldades podem afetar indivíduos de maneiras distintas, dependendo da situação e da psicologia de cada um.
Identificar que as pessoas não estão bem também exige ações criativas dos líderes para prestar assistência significativa. É vital que se comece pela mitigação dos impactos sentidos pela pessoa em dificuldade, oferecendo apoio e segurança antes de buscar as causas dos problemas. Isso pode envolver desde conversas individualizadas até a reestruturação de cargas de trabalho e uso de recursos de saúde mental da organização.
A abordagem não deve ser diagnóstica, mas sim de suporte, respeitando as diferentes necessidades e crenças dos indivíduos.
Além de focar no bem-estar de um único colaborador, os gestores devem mapear o impacto sobre os colegas e ajustar as cargas de trabalho para garantir uma distribuição justa. Evitar o "efeito dominó" causado por pessoas em crise ajuda a manter a harmonia e a motivação da equipe.
Finalmente, os líderes devem lembrar-se de cuidar de si mesmos para evitar esgotamento. Em sua pesquisa sobre eficácia no trabalho, Melissa Swift ressaltou a necessidade de que líderes encontrem pessoas com quem possam conversar, absorvendo e liberando as emoções negativas do dia a dia laboral.
Cuidar de si mesmo é tão importante quanto cuidar dos outros; o autocuidado deve ser uma prioridade.
Os líderes precisam escolher seus focos seletivamente, observando comportamentos tóxicos como o bullying. "Não estar bem" não pode ser normalizado; é crucial encontrar modos de melhorar o que está ao nosso alcance, beneficiando a todos no ambiente de trabalho.