Um número crescente de empresas está vinculando a remuneração dos funcionários ao desempenho, tendência que não se limita mais a áreas como vendas, mas que agora atinge setores como educação e saúde. O modelo de remuneração por desempenho (PFP) começou a se expandir nos últimos anos, mesmo em escritórios de médicos, onde 45% dos profissionais agora recebem por desempenho, em comparação a 29% em 2012. A inteligência artificial está abrindo novas possibilidades para planos de compensação personalizados, que usam dados em tempo real para conectar melhor pagamento e desempenho.
O crescimento desse modelo não ocorre sem motivo. Pesquisas recentes indicam que, comparado ao pagamento fixo, o PFP está positivamente relacionado ao aumento do desempenho no trabalho. Isso é verdade para tarefas rotineiras ou que exigem criatividade, bem como para cargos que vão de operários manufatureiros a executivos de grandes empresas. Além de incentivar os funcionários atuais, o PFP tem o potencial de moldar a força de trabalho, pois atrai profissionais de alto desempenho e desencoraja os de baixo rendimento.
No entanto, o PFP também possui desvantagens, gerando competição e ciúmes que podem comprometer a cooperação e criar uma cultura organizacional hostil. Além disso, pode afetar a saúde dos funcionários, aumentando o uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos entre 4% e 6% após a implantação desse modelo. O burnout e a rotatividade dos funcionários são consequências comuns, apresentando um dilema para líderes empresariais sobre a eficácia e sustentabilidade do PFP como estratégia.
"A incerteza no pagamento pode causar estresse adicional aos funcionários, levando-os a trabalhar em excesso para garantir a remuneração desejada."
Pesquisadores testaram essas previsões em cinco experimentos com mais de 1.400 participantes nos EUA e na Espanha. Os estudos revelaram que trabalhadores expostos à incerteza salarial tendem a trabalhar por mais tempo, mesmo quando as recompensas financeiras são insignificantes, em comparação aos que recebem pagamento garantido. A incerteza promove uma visão de túnel, onde os funcionários focam em maximizar ganhos, descuidando de suas próprias necessidades de descanso.
Para os líderes empresariais, esses achados são cruciais, pois ressaltam que a incerteza salarial pode resultar em custos substanciais relacionados ao burnout se não for controlada. Funcionários preocupados com a insegurança financeira têm menos capacidade de se concentrar em soluções inovadoras que impulsionam os negócios e podem contribuir para uma cultura organizacional negativa.
A economia gig, por exemplo, evidencia exemplos de empresas que aumentam a incerteza salarial por meio de precificação dinâmica e bônus, algo que deve ser feito com cautela.
Os líderes podem rever suas estratégias salariais para melhor adaptar o PFP. Recomenda-se a implementação de critérios claros e especificações, discutindo-os com os funcionários para minimizar a incerteza. Firmas como Adobe e Boeing têm adotado abordagens que atribuem bônus com base no desempenho corporativo global ou em equipes, reduzindo flutuações nos rendimentos individuais.
A elaboração de estratégias de compensação adequadas é fundamental não apenas para a competitividade e engajamento dos funcionários, mas também para a saúde e sustentabilidade da força de trabalho. Se adequadamente implementadas, políticas de remuneração por desempenho podem reduzir a incerteza em tempos de recessão ou crises setoriais, como a pandemia de COVID-19. Incentivos à poupança e adequações nas partes variáveis dos salários, como implementado por empresas como Target e Bank of America, são opções a considerar para mitigar os efeitos negativos da incerteza salarial.
Acompanhando rendimentos ao longo do tempo, os funcionários podem calcular estimativas mais confiáveis de seus ganhos típicos.
A prática de remuneração baseada em desempenho tem uma natureza dual e deve ser gerida com atenção às incertezas. Ajustes proativos podem proporcionar os benefícios esperados do PFP enquanto minimizam os riscos, promovendo o bem-estar dos funcionários e a competitividade no longo prazo.