
Uma nova publicação da Harvard Business Review (HBR), oriunda do Family Business Center da HEC Paris, lançada em 7 de outubro de 2025, traz à luz uma perspectiva crítica sobre o engajamento de acionistas. Intitulada “When Shareholder Engagement Hurts More Than It Helps” (Quando o Engajamento de Acionistas Prejudica Mais do que Ajuda), a matéria questiona a premissa de que a participação ativa de acionistas é sempre benéfica, destacando situações onde tal envolvimento pode ser contraproducente.
A pesquisa desafia a visão convencional, que frequentemente promove o engajamento de acionistas como um pilar essencial para a boa governança corporativa e a criação de valor a longo prazo. Os autores argumentam que, embora a intenção seja positiva, a implementação inadequada ou excessiva pode gerar resultados negativos, especialmente em contextos empresariais específicos como o das companhias familiares.
O artigo aprofunda-se nas dinâmicas que levam o engajamento de acionistas a se tornar um obstáculo em vez de um facilitador. Ele explora como a pressão por retornos de curto prazo, a busca por interesses minoritários ou a imposição de agendas externas podem desviar as empresas de suas estratégias fundamentais e minar a capacidade da gestão de implementar visões de longo prazo, essenciais para a sustentabilidade.
"A intervenção excessiva dos acionistas pode, paradoxalmente, minar o valor a longo prazo, especialmente em empresas com legados e culturas familiares fortes que exigem uma visão estratégica coesa", destaca a publicação.
Os pesquisadores analisam diversos casos e cenários onde as ações de grupos de acionistas, apesar de bem-intencionadas, resultaram em fragmentação estratégica, conflitos internos ou decisões que, a posteriori, se mostraram prejudiciais à saúde organizacional. O foco da análise recai sobre como as expectativas dos acionistas podem se chocar com as necessidades operacionais e estratégicas da companhia.
Para as empresas familiares, o estudo aponta desafios ainda mais complexos. A interação entre a estrutura de propriedade familiar, os valores inerentes e a gestão profissional cria um ecossistema único. Nesses ambientes, o engajamento desmedido de acionistas pode exacerbar tensões entre membros da família, diluir o senso de propósito compartilhado ou dificultar a transição entre gerações, ameaçando a longevidade do negócio.
O Family Business Center da HEC Paris enfatiza que "em contextos familiares, a gestão precisa equilibrar as expectativas dos acionistas com a preservação de um legado que transcende o lucro imediato, exigindo um modelo de governança mais matizado."
A publicação oferece valiosos insights para conselhos de administração, gestores e próprios acionistas, sugerindo a necessidade de uma abordagem mais estratégica e contextualizada ao engajamento. Ela propõe que as empresas desenvolvam mecanismos de comunicação e governança que garantam a participação construtiva, ao invés de meramente reativa, dos acionistas, alinhando interesses de forma mais eficaz.
Em sua conclusão, a HBR sublinha a importância de reconhecer que a qualidade do engajamento supera a quantidade. As lições aprendidas neste estudo são cruciais para empresas de todos os portes, mas particularmente para as familiares, que buscam harmonizar a busca por lucratividade com a preservação de sua identidade e visão estratégica de longo prazo em um mercado cada vez mais dinâmico.