
A longevidade das empresas familiares, um tema de crescente interesse no cenário econômico global, está intrinsecamente ligada à eficácia de suas estruturas de governança. Estudos e análises do setor apontam que a capacidade de tais organizações superarem as barreiras da sucessão e da gestão de conflitos depende fundamentalmente da adoção de práticas de governança bem definidas, que estabelecem clareza de papéis e responsabilidades entre os membros da família e os interesses do negócio.
Historicamente, a transição entre gerações tem sido um ponto crítico para muitos empreendimentos familiares, com uma parcela significativa não resistindo além da terceira geração. Nesse contexto, a governança corporativa emerge como um elemento central, fornecendo o arcabouço necessário para profissionalizar a gestão, assegurar a transparência nas decisões e proteger o patrimônio e os valores da família fundadora, garantindo a perenidade do legado.
A formulação de uma governança eficaz para empresas familiares envolve a criação de conselhos de administração com participação de membros independentes, a elaboração de protocolos familiares que ditam as regras de relacionamento entre família e negócio, e a definição clara dos processos de tomada de decisão e resolução de disputas. Tais mecanismos são vitais para evitar a superposição de interesses pessoais com os corporativos, promovendo uma gestão mais profissional e estratégica.
"A implementação de um conselho de família e de um conselho de administração independente permite que as empresas familiares alcancem um equilíbrio entre as aspirações familiares e as necessidades empresariais, consolidando sua trajetória de crescimento e inovação.", afirma o autor de um estudo recente sobre o tema.
Além disso, a governança atua diretamente na formulação de políticas de sucessão claras e meritocráticas, na atração e retenção de talentos não familiares e na melhoria do acesso a mercados de capitais. Ao instituir uma cultura de prestação de contas e responsabilidade, a empresa familiar eleva sua credibilidade junto a stakeholders externos e internos, fortalecendo sua posição competitiva e sua capacidade de adaptação às dinâmicas de mercado.
A profissionalização da gestão, um dos objetivos primordiais da governança, envolve a separação explícita das esferas familiar e empresarial, evitando que as emoções e os laços de parentesco interfiram nas escolhas estratégicas do negócio. Isso se traduz na adoção de critérios técnicos para a contratação e promoção de gestores, sejam eles membros da família ou não, garantindo que as decisões sejam tomadas com base em competência e alinhamento com os objetivos da empresa.
A experiência demonstra que "a ausência de formalização e de canais claros para a resolução de divergências pode levar a impasses que comprometem seriamente a operação e o futuro da organização, destacando a imperatividade de um protocolo familiar bem elaborado".
Os desafios de gerir o patrimônio e as relações em um contexto familiar requerem uma vigilância constante e a capacidade de adaptar as estruturas de governança à medida que a empresa cresce e as gerações se sucedem. A revisão periódica dos estatutos, dos conselhos e dos protocolos é essencial para que a governança se mantenha relevante e eficaz frente às novas realidades de mercado e aos diferentes estágios de desenvolvimento da família e do negócio.
Em última análise, uma governança corporativa robusta e adaptável não apenas assegura a continuidade operacional, mas também fortalece a cultura da empresa, promove a inovação e prepara o terreno para que as futuras gerações possam dar continuidade ao legado, perpetuando o sucesso e a influência da organização no longo prazo, em um ambiente de negócios cada vez mais complexo e dinâmico.