Em 1982, um episódio do programa 20/20 da ABC impactou profundamente o universo médico nos EUA. Com o título "The Deep Sleep: 6,000 Will Die or Suffer Brain Damage", a reportagem revelou erros anestésicos que resultaram em mortes e danos cerebrais. Esse momento crítico levou os anestesistas a uma encruzilhada: podiam proteger suas reputações ou abrir caminho para a transparência.
Liderados por Dr. Ellison C. Pierce Jr., os anestesistas criaram a Anesthesia Patient Safety Foundation (APSF) para promover segurança e lançar o Closed Claims Project, um sistema de análise de dados de processos por erros médicos. Essas iniciativas colaborativas transformaram a segurança na anestesia, reduzindo drasticamente incidentes fatais e fortalecendo a confiança dos pacientes.
Lideranças em todos os setores enfrentam problemas similares aos dos anestesistas: fragmentação de stakeholders e riscos reputacionais. Setores como tecnologia e bens de consumo sofrem crises de confiança, enquanto a regulação se intensifica. A solução não está na competição isolada, mas sim na coopetição, como defendida por Ray Noorda, onde rivais colaboram e criam valor mútuo.
"Colaboração entre concorrentes pode gerar resultados impossíveis de alcançar individualmente."
Empresas aéreas, restaurantes e montadoras já demonstram como a coopetição pode expandir mercados e melhorar serviços, proporcionando benefícios coletivos além da busca por participação de mercado individual.
A experiência dos anestesistas fornece um roteiro: ações coletivas são mais eficazes do que inovações isoladas. Exemplos incluem estudo conjunto de falhas, criação de ambientes neutros como a APSF, padronização e interoperabilidade entre sistemas, e o uso estratégico de recursos partilhados.
Estratégias colaborativas promovem avanços setoriais sem eliminar a competição.
Ao investir juntos e partilhar responsabilidades, setores inteiros progridem. A coopetição não elimina a luta por clientes, mas estabelece um nível de colaboração que beneficia o setor como um todo.
Embora céticos questionem os benefícios de ajudar concorrentes, estudos empíricos mostram um impacto positivo significativo da coopetição no desempenho organizacional. Anestesiologistas, ao priorizarem vidas sobre mercado, reestruturaram a confiança e fortaleceram a profissão.
Coopetição amplia mercados e fortalece as empresas ao unir concorrentes.
Os desafios atuais — desde mudanças climáticas a cibersegurança — exigem uma abordagem coletiva. Inspirados pelos anestesistas, líderes devem desmontar barreiras e construir pontes, pois a coopetição não apenas maximiza o valor para seus negócios, mas também para toda a sociedade.