Na era digital, onde dados são gerados a todo momento, muitas organizações enfrentam dificuldades em traduzir investimentos tecnológicos em resultados concretos. Um levantamento global realizado no final de 2024 pela Gartner, envolvendo mais de 4.200 líderes, revelou que somente 48% das iniciativas digitais alcançaram ou superaram os resultados projetados. O cenário se torna ainda mais desanimador nas áreas de inteligência artificial, com 60% dos entrevistados de um estudo de 2025 da BCG afirmando que suas aplicações em IA pouco contribuíram para aumentar receitas ou reduzir custos.
Desde 2020, pesquisas conduzidas por Linda A. Hill e outros especialistas da Harvard Business School vêm analisando o papel da liderança na era digital. Os resultados, após seis anos, mostram que líderes bem-sucedidos enfatizam desde cedo a criação de uma força de trabalho “digitalmente habilidosa”, composta por profissionais dispostos e capacitados a utilizar novas tecnologias para impulsionar os objetivos organizacionais.
O estudo demonstra que o foco na cultura organizacional, aprendizado e desenvolvimento de habilidades é crucial para o sucesso de investimentos digitais. Conforme discutido por Hill e sua equipe em “Por que a Destreza Digital é Fundamental para a Transformação”, esse é um compromisso de longo prazo que começa com uma redefinição do desafio tecnológico em si.
Liderar na era digital exige um compromisso contínuo com a construção de competências digitais.
O problema não se limita a tecnologias avançadas como a IA. Mesmo áreas habituadas ao uso intensivo de dados, como a experiência do cliente, precisam mais da capacidade dos líderes em decidir quais métricas realmente importam do que da quantidade de informações disponíveis, segundo Charles H. Patti, Maria M. van Dessel e Steven W. Hartley.
Com a crescente adoção de modelos de linguagem e ferramentas generativas, a necessidade de discernimento humano torna-se evidente. Pesquisas de Steven Randazzo e colegas mostram que, ao tentar validar conclusões de modelos de linguagem, participantes enfrentaram resistência da IA, que buscava persuadi-los a aceitar suas respostas. Essa tendência evidencia a complexidade das tecnologias, que não se mostra inteligente, mas sim desafiadora devido à falta de preparo dos usuários para contestá-la adequadamente.
O sucesso na transformação digital não está na tecnologia, mas na preparação adequada das pessoas para seu uso eficiente.
Organizações falham na transformação digital não porque as tecnologias são fracas, mas sim porque a equipe não está devidamente capacitada para utilizá-las de maneira eficaz. Desenvolver uma cultura que privilegie a aprendizagem contínua e a habilidade digital pode ser o caminho para maximizar os retornos dos investimentos tecnológicos no futuro.