Uma nova pesquisa, publicada no prestigiado Academy of Management Journal, revela que a velocidade excessiva na resposta a opiniões e sugestões pode ter um efeito paradoxal, levando à percepção de inautenticidade. O estudo, conduzido por Danbee Chon, Francis J. Flynn e Ovul Sezer, destaca que, embora a agilidade seja frequentemente valorizada em ambientes profissionais, uma resposta muito rápida pode minar a credibilidade do interlocutor, fazendo com que suas intenções sejam questionadas.
A descoberta desafia a crença comum de que a rapidez é sempre um indicador de eficiência e atenção, especialmente em contextos corporativos e de liderança. Em vez disso, os pesquisadores apontam que, ao processar e reagir de forma instantânea, a percepção que se forma é de que o feedback não foi devidamente considerado, resultando em uma sensação de que a resposta foi superficial ou pré-fabricada, e não genuína.
A pesquisa aprofunda-se na psicologia por trás da percepção de autenticidade, argumentando que a lentidão moderada, ou um tempo de resposta considerado 'razoável', sugere que houve um processo de reflexão e ponderação. Esse tempo de processamento é crucial para que a resposta seja interpretada como sincera e bem fundamentada, em vez de uma reação impensada ou superficialmente elaborada para atender a expectativas de agilidade.
Observou-se que a prontidão extrema em responder a uma "voz" – seja ela uma ideia, uma crítica ou uma sugestão – pode, ironicamente, sinalizar uma falta de profundidade e consideração, comprometendo a percepção de integridade.
Os autores sugerem que líderes e gestores que respondem instantaneamente a sugestões ou preocupações de suas equipes podem, sem intenção, criar uma barreira à confiança. A mensagem transmitida, mesmo que subconscientemente, é que a contribuição não mereceu tempo para ser plenamente compreendida ou valorizada, o que pode desmotivar futuras participações e reduzir o engajamento geral dos colaboradores.
No ambiente de trabalho moderno, onde a velocidade e a eficiência são frequentemente idealizadas, essa pesquisa oferece uma perspectiva valiosa sobre a complexidade da comunicação interpessoal. Ela destaca que a mera agilidade não é suficiente para construir relações de confiança; é preciso demonstrar que a escuta foi ativa e que houve um tempo mínimo para processar e formular uma resposta genuína, mesmo que isso signifique não ser o primeiro a reagir.
Os autores enfatizam a importância de encontrar um equilíbrio, onde a resposta não seja nem excessivamente demorada, a ponto de ser irrelevante, nem tão rápida que sugira uma falta de deliberação autêntica.
Este achado possui relevância particular para programas de desenvolvimento de liderança, sugerindo que treinamentos foquem não apenas na agilidade, mas na qualidade da escuta ativa e na capacidade de demonstrar consideração. A construção de uma cultura organizacional que valorize a reflexão antes da resposta impulsiva pode fortalecer laços de confiança e promover um engajamento mais profundo por parte dos colaboradores.
A pesquisa, disponível no Volume 0, Issue ja do Academy of Management Journal, não apenas convida a uma reflexão sobre as dinâmicas de comunicação, mas também oferece diretrizes práticas para aprimorar a autenticidade percebida nas interações profissionais, o que inclui repensar métricas de desempenho que recompensam unicamente a rapidez, sem considerar o impacto na percepção de sinceridade.
Em um cenário corporativo cada vez mais focado na experiência do colaborador e na construção de ambientes transparentes, a compreensão de que uma resposta apressada pode, paradoxalmente, gerar desconfiança, torna-se uma ferramenta estratégica. Os autores Chon, Flynn e Sezer reforçam a importância de que a autenticidade, em vez da simples prontidão, seja a pedra angular de qualquer interação significativa.