Pesquisa explora acordos I-Deals e a influência das redes de confiança

Artigo no Academy of Management Journal analisa como a confiança e as redes de obstáculos moldam arranjos personalizados de trabalho.

03/12/2025 às 08:24
Por: Redação

Pesquisadores Smriti Anand, Berrin Erdogan, Prajya R. Vidyarthi e Farid Jahantab publicaram um estudo seminal no Academy of Management Journal, volume 68, número 6, com previsão de lançamento em dezembro de 2025, que desvenda a complexa dinâmica por trás dos “I-Deals” – acordos individualizados de trabalho – sob a ótica da teoria do livro-razão social. O trabalho enfatiza o papel crucial das redes de confiança e das redes de obstáculos na formação e sustentação dessas negociações personalizadas, revelando como a interação interpessoal molda as flexibilidades concedidas aos colaboradores.

 

A pesquisa, intitulada "Understanding I-Deals through the Social Ledger Lens: The Role of Trust and Hindrance Networks", mergulha em um conceito cada vez mais relevante no cenário corporativo atual, onde a customização de funções, horários e benefícios se torna um diferencial para a retenção de talentos e o aumento da satisfação. O Academy of Management Journal, uma das publicações mais prestigiadas na área de gestão, serve como palco para a divulgação desses insights, que prometem redefinir a compreensão sobre as relações empregador-empregado.

 

O Conceito de I-Deals e sua Mecânica Social

Os “I-Deals” são definidos como acordos de trabalho individualizados, negociados entre o funcionário e o empregador, que diferem dos termos padronizados de emprego e podem incluir flexibilidade de horário, arranjos de trabalho remotos ou tarefas específicas. O estudo de Anand e seus colegas introduz a lente do “livro-razão social” para explicar como essas negociações são influenciadas pela percepção de reciprocidade, dívidas sociais e créditos acumulados nas relações interpessoais.


"A confiança não é apenas um lubrificante social; ela é a fundação sobre a qual os acordos individualizados mais complexos e benéficos são construídos", afirmam os autores em trechos de seu estudo, sublinhando a importância vital das relações interpessoais.


Esta abordagem teórica sugere que a história de interações, o apoio mútuo e a percepção de um compromisso a longo prazo são fatores decisivos para que tanto empregados quanto empregadores se sintam confortáveis em conceder ou solicitar I-Deals. Os resultados indicam que um histórico robusto de confiança mútua e redes de apoio sólidas amplificam as chances de sucesso desses arranjos flexíveis, resultando em maior engajamento e desempenho.

 

A Influência das Redes de Confiança e Obstáculos

O artigo detalha como as redes de confiança, formadas por colegas, gestores e outros stakeholders que apoiam o indivíduo, funcionam como um catalisador para a aprovação e implementação de I-Deals. Paralelamente, os pesquisadores exploram as "redes de obstáculos", que podem ser compostas por indivíduos ou grupos com interesses conflitantes, percepções negativas ou que se opõem à flexibilização, criando barreiras significativas para a concretização desses acordos.


A pesquisa ressalta que "a capacidade de um empregado para negociar e sustentar um I-Deal é intrinsecamente ligada à força e à natureza de suas conexões sociais no local de trabalho, bem como à ausência de impedimentos por parte de colegas e superiores."


Os autores utilizaram uma metodologia rigorosa, combinando dados de múltiplas fontes para analisar a formação e os resultados dos I-Deals em diversas organizações. Eles argumentam que a gestão eficaz dessas redes – tanto as de suporte quanto as de impedimento – é fundamental para que as empresas colham os benefícios da individualização do trabalho, evitando potenciais conflitos ou sentimentos de injustiça entre os funcionários.

 

As implicações práticas do estudo são vastas, oferecendo a gestores e líderes de Recursos Humanos ferramentas conceituais para navegar no complexo ambiente de trabalho moderno. Compreender o papel do "livro-razão social" e a dinâmica das redes permite criar estratégias mais eficazes para promover uma cultura organizacional que valorize a flexibilidade sem comprometer a equidade ou a coesão da equipe.

 

Em suma, a pesquisa de Anand, Erdogan, Vidyarthi e Jahantab representa um avanço significativo na literatura sobre I-Deals, enfatizando que esses acordos não são meras transações formais, mas sim reflexos de um intrincado balanço de relações sociais, confiança e poder dentro das organizações. A publicação em dezembro de 2025 no Academy of Management Journal promete enriquecer o debate sobre o futuro do trabalho e a gestão de talentos.

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