Pesquisa desvenda desafios de ascensão social na voz do trabalhador

Estudo aponta que profissionais com trajetória de classe social ascendente enfrentam barreiras para serem ouvidos no ambiente corporativo

03/12/2025 às 08:16
Por: Redação

Uma pesquisa da Academy of Management Journal, conduzida por Subrahmaniam Tangirala, Rui Shu, Srinivas Ekkirala e Yasha Spriha, revela que funcionários que experimentaram uma transição de classe social ascendente enfrentam barreiras específicas para ter suas ideias e perspectivas genuinamente ouvidas no ambiente de trabalho. O estudo, ainda sem data de publicação definida, destaca que a origem socioeconômica pode influenciar significativamente a dinâmica da comunicação interna e a percepção de competência entre colegas e superiores, desafiando a meritocracia idealizada em muitas organizações.

 

A investigação aprofundou-se nas complexidades enfrentadas por indivíduos que, embora bem-sucedidos em suas carreiras, carregam um histórico de menor privilégio socioeconômico. Esses profissionais, muitas vezes, precisam superar preconceitos implícitos e a falta de capital social herdado, que naturalmente beneficia colegas de origens mais abastadas. A pesquisa sugere que tais desafios podem levar a uma diminuição na participação ativa e na autoconfiança, impactando diretamente a inovação e a diversidade de pensamento nas empresas.

 

Barreiras invisíveis na comunicação corporativa

O estudo identificou que a percepção de “ser ouvido” não se limita apenas à oportunidade de falar, mas à consideração e validação das contribuições. Profissionais de origens sociais mais baixas, mesmo com qualificações e experiências equivalentes ou superiores, frequentemente relatam que suas sugestões são menos valorizadas ou demoram mais para serem reconhecidas. A pesquisa analisou dados qualitativos e quantitativos de centenas de funcionários em diversas indústrias, revelando um padrão persistente de sub-representação de suas vozes em decisões estratégicas.


“Nossa pesquisa indica que a classe social de origem molda sutilmente, mas profundamente, a forma como as ideias são recebidas e atribuídas no ambiente corporativo, exigindo uma reavaliação das práticas de inclusão”, afirmaram os pesquisadores no resumo do estudo.


Essa dificuldade em ter a voz ouvida não afeta apenas o indivíduo, mas também a própria organização, que perde a oportunidade de capturar insights valiosos e diversificados. O projeto de pesquisa visa não só expor essa dinâmica, mas também propor estratégias eficazes para que as empresas possam criar ambientes mais equitativos, onde a contribuição de cada funcionário seja genuinamente valorizada, independentemente de sua trajetória socioeconômica. A meta é fomentar culturas organizacionais mais inclusivas e inovadoras.

 

Estratégias para uma inclusão mais efetiva

Em resposta a essas descobertas, especialistas em recursos humanos e liderança têm debatido a necessidade de programas de mentoria específicos e treinamentos de conscientização para líderes, visando identificar e mitigar vieses inconscientes. Há um crescente reconhecimento de que a diversidade vai além de aspectos visíveis, abrangendo as complexas camadas da experiência social e os desafios intrínsecos à trajetória de vida de cada indivíduo dentro da corporação.


Para muitos líderes empresariais, a pesquisa reforça a importância de se criar canais de comunicação seguros e abertos, onde o mérito da ideia prevaleça sobre a origem de quem a propõe, impulsionando a inovação e o engajamento de todos.


Os autores do estudo esperam que suas descobertas estimulem futuras pesquisas sobre o impacto da classe social em diferentes aspectos da vida profissional, desde oportunidades de promoção até a construção de redes de contatos. O desafio, agora, é traduzir esses achados acadêmicos em ações concretas que possam ser implementadas por organizações de todos os portes e setores, transformando a teoria em prática diária de gestão de pessoas.

 

Além disso, a academia de gestão e as grandes corporações são incentivadas a desenvolver métricas mais sofisticadas para avaliar a verdadeira inclusão da voz dos funcionários, indo além de indicadores superficiais de diversidade. A longo prazo, o objetivo é construir organizações onde a meritocracia seja uma realidade tangível para todos os talentos, independentemente de sua trajetória inicial, garantindo que a riqueza de suas experiências se traduza em valor organizacional e vantagem competitiva.

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