Um novo estudo aprofundado, publicado no prestigiado Academy of Management Journal, lança luz sobre as "dualidades da participação em múltiplas equipes" (Multiple Team Membership - MTM) e suas significativas implicações para o desempenho e a adaptabilidade das equipes profissionais. Os pesquisadores Jason D. Shaw, Thomas A. de Vries, Haoyuan Li e Tingting Lang, autores do artigo, desvendam como a atuação simultânea de indivíduos em diversos grupos de trabalho pode tanto impulsionar quanto desafiar a eficácia organizacional, destacando a complexidade desse fenômeno no ambiente corporativo contemporâneo.
A pesquisa aborda um tema cada vez mais relevante no cenário atual do trabalho, onde a colaboração multifuncional e a flexibilidade são valorizadas. A MTM, que se refere à prática de um indivíduo pertencer a mais de uma equipe de trabalho simultaneamente, tornou-se uma norma em muitas organizações. Contudo, suas consequências para os resultados das equipes e para a capacidade de uma empresa se ajustar às mudanças ainda são objeto de intensa análise, sendo este estudo uma contribuição fundamental para o entendimento de suas nuances.
O estudo detalha que, por um lado, a participação em múltiplas equipes pode gerar benefícios consideráveis, como o aumento da transferência de conhecimento e a disseminação de melhores práticas entre diferentes projetos e departamentos. Profissionais com MTM frequentemente atuam como pontes de informação, enriquecendo o capital intelectual da organização e promovendo uma visão mais holística dos desafios e soluções. Esta capacidade de conectar saberes diversificados pode ser crucial para a inovação e a resolução de problemas complexos.
"Nossa análise revela que, embora a MTM possa acelerar a difusão de conhecimento e a colaboração interfuncional, ela também impõe desafios significativos à gestão da carga de trabalho e à clareza de papéis dos membros da equipe", afirmam os autores do estudo, destacando a complexa intersecção de fatores.
Por outro lado, os pesquisadores apontam para as desvantagens inerentes à MTM, incluindo o aumento da carga cognitiva e a fragmentação da atenção dos colaboradores. A constante alternância entre contextos e prioridades de diferentes equipes pode levar à sobrecarga, ao estresse e à redução da eficiência, uma vez que o tempo e a energia dedicados a cada projeto são diluídos. Essa "troca de contexto" exige um esforço mental adicional que pode comprometer a profundidade do engajamento em qualquer uma das equipes.
A pesquisa enfatiza que os impactos da MTM não se restringem ao nível individual, reverberando diretamente no desempenho coletivo e na capacidade de adaptação das organizações. Equipes com alta incidência de membros com MTM podem apresentar flutuações em sua coesão e comunicação interna, dificultando a sincronização e o alinhamento de objetivos. Tal cenário pode tornar as equipes menos ágeis na resposta a novas demandas e mudanças no ambiente de negócios, comprometendo sua adaptabilidade estratégica.
A habilidade de uma organização em gerenciar eficientemente a MTM é crucial para capitalizar seus benefícios, enquanto se minimizam os riscos de esgotamento e de queda na performance das equipes, conforme a visão apresentada pelo estudo.
Os autores concluem que uma compreensão aprofundada das dualidades da MTM é essencial para que líderes e gestores possam projetar estruturas organizacionais mais eficazes. A criação de políticas e práticas que apoiem os membros de múltiplas equipes – como a priorização clara de tarefas, a alocação de recursos adequada e o fomento à comunicação transparente – é fundamental para transformar a complexidade da MTM em uma vantagem competitiva sustentável, permitindo que as empresas prosperem em um ambiente de trabalho dinâmico e interconectado.
Dessa forma, o artigo "The Dualities of Multiple Team Membership: Implications for Team Performance and Adaptability" oferece um arcabouço teórico e prático valioso para organizações que buscam otimizar suas operações e promover um ambiente de trabalho mais produtivo e resiliente. A pesquisa sugere a necessidade contínua de equilibrar a flexibilidade com a sustentabilidade do bem-estar dos colaboradores e a clareza de propósito das equipes, impulsionando a discussão sobre as melhores estratégias para o futuro do trabalho.