Perfeccionismo no balé: estímulos sociais afetam a saúde dos bailarinos

Pesquisa revela que sinais de desumanização ou reumanização moldam o comportamento de busca pela perfeição entre profissionais

03/12/2025 às 08:06
Por: Redação

Uma pesquisa recente, publicada no *Academy of Management Journal*, desvenda como os sinais sociais, sejam eles desumanizadores ou reumanizadores, impactam diretamente a manifestação do perfeccionismo em bailarinos profissionais. O estudo, conduzido por Rachael D. Goodwin, Ali P. Block e Lyndon E. Garrett, aponta que a maneira como esses artistas são percebidos e tratados no ambiente de trabalho é crucial para determinar se a busca pela excelência se torna uma força adaptativa e saudável ou uma armadilha mal-adaptativa e prejudicial à saúde mental e física.

 

O universo do balé profissional é notoriamente exigente, onde a maestria técnica e a expressão artística são elevadas ao seu ápice. Nesse contexto de intensa pressão, o perfeccionismo é uma característica inerente, mas a pesquisa lança luz sobre como ele pode se manifestar de duas formas distintas: o perfeccionismo adaptativo, que impulsiona o crescimento e a superação, e o perfeccionismo mal-adaptativo, que gera ansiedade, esgotamento e frustração. A investigação aprofunda-se nas dinâmicas interpessoais que modulam essa dualidade.

 

A Influência dos Sinais Sociais no Palco

Os pesquisadores exploraram a distinção entre estímulos sociais que reumanizam — ou seja, reconhecem a individualidade, a dignidade e a contribuição única de cada bailarino — e aqueles que desumanizam, tratando os artistas como meros instrumentos ou componentes substituíveis de uma produção. Observou-se que um ambiente onde prevalecem os sinais desumanizadores tende a fomentar o perfeccionismo mal-adaptativo, levando os bailarinos a uma busca exaustiva por um ideal inatingível, muitas vezes acompanhada de autocrítica severa e medo de falhar.


“Ambientes que desumanizam podem levar a uma busca incessante por um ideal inatingível, minando o bem-estar e a longevidade da carreira dos artistas”, indica a análise dos pesquisadores.


Em contraste, quando os bailarinos são expostos a sinais reumanizadores, percebendo que sua individualidade e bem-estar são valorizados, o perfeccionismo tende a assumir uma forma mais adaptativa. Isso significa que a paixão pela perfeição é canalizada para o desenvolvimento de habilidades, a resiliência diante de desafios e a satisfação com o processo de aprendizado, em vez de se tornar uma fonte constante de estresse e insatisfação. A pesquisa, embora não mencione dados quantitativos específicos na sinopse, estabelece uma clara correlação qualitativa entre esses tipos de sinais sociais e as manifestações do perfeccionismo.

 

Os resultados do estudo têm profundas implicações não apenas para o mundo do balé, mas para qualquer ambiente profissional de alta pressão. Eles sugerem que a liderança e a cultura organizacional desempenham um papel fundamental na moldagem do comportamento dos indivíduos. Reconhecer a humanidade dos colaboradores, oferecendo suporte, feedback construtivo e oportunidades de crescimento pessoal, pode transformar a busca por resultados excelentes em uma experiência motivadora e sustentável.

 

Recomendações para Ambientes de Alta Performance

A pesquisa sublinha a necessidade de que gestores e diretores artísticos em companhias de balé, e em outras profissões de alto desempenho, adotem abordagens que valorizem a pessoa por trás do profissional. Isso inclui promover um diálogo aberto, reconhecer esforços e conquistas, e criar um senso de pertencimento e segurança psicológica. Tais práticas são essenciais para mitigar os riscos associados ao perfeccionismo mal-adaptativo, como lesões por estresse, problemas de saúde mental e o abandono precoce da carreira.


A pesquisa sugere que a forma como os líderes interagem com seus talentos define se a busca pela excelência se tornará uma força destrutiva ou construtiva para o indivíduo e a organização.


Em última análise, o estudo de Goodwin, Block e Garrett oferece um caminho para criar ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos, onde a excelência é alcançada não à custa do bem-estar, mas em harmonia com ele. A compreensão desses mecanismos sociais pode levar a mudanças significativas nas práticas de gestão, fomentando uma cultura onde a paixão pela perfeição é sinônimo de crescimento e realização, e não de sofrimento. A continuidade de pesquisas nessa área será vital para expandir essas descobertas a outros contextos profissionais e aprofundar a compreensão sobre o impacto das interações humanas no desempenho e saúde ocupacional.

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