Em um cenário onde a autenticidade é valorizada, distinguir entre liderança genuína e uma postura insensível pode ser desafiador. Frases como 'personalidade forte' ou 'direto ao ponto' são muitas vezes interpretadas como elogios, mas podem ocultar críticas à forma como lidamos com a equipe. A linha entre ser genuíno e ser grosseiro pode ser tênue, especialmente quando a intenção de ser fiel a si mesmo se sobrepõe à curiosidade e à colaboração.
Ainda que muitos líderes bem intencionados busquem mostrar integridade e paixão, a autopercepção pode enganar. Ao justificar comportamentos e desconsiderar os feedbacks, construímos uma imagem inflada de nós mesmos, que pode causar desconexões. Por trás de julgamentos antes vistos como elogios, pode haver sinais de que algo está desalinhado com nossas intenções.
A busca por autenticidade é geralmente positiva, mas pode se transformar em defensividade e conflitos, sabotando oportunidades de promoção e estagnando carreiras. Ser autêntico requer equilíbrio entre intenções e práticas de liderança construtivas, reconhecendo feedbacks desconfortáveis e ajustando comportamentos em prol de confiança e transparência.
'Você tem uma forte personalidade' pode significar mais do que aparenta; talvez você esteja dominando, não apenas se afirmando.
Muitas vezes, acreditamos que estamos sendo transparentes, mas a percepção dos outros pode ser de insensibilidade. É crucial revisitar os próprios hábitos cognitivos para garantir que a autenticidade favoreça, e não sabote, a confiança e a conexão interpessoal.
Autenticidade no trabalho se reflete em comunicação honesta, escolhas sob pressão e riscos assumidos. Contudo, descompasso entre palavras e ações pode levantar dúvidas sobre nossa integridade. De detalhes pequenos, como falas desmedidas, podem emergir críticas e rótulos de hipocrisia, especialmente em ambientes que prezam valores sustentáveis ou de equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Marcos, ao defender ideais ecológicos, enfrentou olhares críticos ao agir de maneira contrária, perdendo status e motivação.
Para evitar tais descompassos, líderes devem conectar intenções com visão honesta de suas ações, adotando práticas que valorizem feedbacks construtivos e a abertura a diferentes perspectivas para desenvolver a 'autenticidade humilde'.
Empregar estratégias como reflexões constantes e preparação para aceitar críticas sem defensividade são caminhos para fortalecer e sustentar a autenticidade com humildade. Revendo valores pessoais e contextos desafiadores é possível cultivar uma liderança que, embora fiel às próprias convicções, se mostra aberta e devidamente ajustada ao coletivo, promovendo conexão genuína e desenvolvimento contínuo.
A autenticidade não é apenas 'ser você mesmo'; é um esforço intencional de mostrar-se de forma que considere e valorize os outros.
Práticas reflexivas ajudam a transformar a autenticidade em um ativo de liderança. Trabalhando nesse sentido, líderes podem revelar valores de modo que ressoe positivamente, não apenas expressando a própria identidade mas também agregando valor ao ambiente profissional.