Líderes e gestores de projetos frequentemente enfrentam um desafio considerável ao decidir encerrar iniciativas que já não se alinham às prioridades estratégicas da organização. Essa decisão, embora necessária, pode levar os membros da equipe, que dedicaram tempo, atenção e energia ao projeto, a questionarem seu sucesso, o valor de seu trabalho e até mesmo sua relevância futura na empresa, impactando diretamente a moral e o engajamento.
A descontinuação de um projeto não se resume a simplesmente finalizar tarefas; ela exige uma abordagem cuidadosa para mitigar os efeitos na equipe. Sanyin Siang, renomada coach de CEOs e diretora do Fuqua/Coach K Center on Leadership & Ethics (COLE) da Duke University, enfatiza que gerenciar essas transições é crucial para manter a motivação e ajudar os colaboradores a redirecionarem suas energias para novas empreitadas.
O primeiro passo, conforme Siang, é reenquadrar e explicar o encerramento do projeto, comunicando como ele cumpriu seu propósito. A escolha das palavras é vital; em vez de usar termos como 'falha' ou 'não valeu a pena', os líderes devem enfatizar que toda iniciativa possui um ciclo de vida natural e serem transparentes sobre os motivos da descontinuação.
É fundamental que os líderes evitem termos como 'falha' e, em vez disso, destaquem que cada iniciativa possui um ciclo de vida natural, comunicando com transparência as razões do encerramento, conforme aconselha a especialista.
É importante destacar os aprendizados e ganhos obtidos, como o fortalecimento de laços interfuncionais ou o acúmulo de conhecimento valioso. Ao conectar as lições aprendidas e o progresso alcançado com as futuras prioridades da organização, a gestão ajuda a equipe a perceber que seu comprometimento e esforço foram essenciais para o estágio atual da empresa.
Após esclarecer a lógica por trás do término da iniciativa, a próxima etapa é comunicar, com empatia e clareza, o que virá a seguir. É essencial que os líderes tenham um plano para realocar os membros da equipe em papéis igualmente significativos. Quando um projeto se encerra, os funcionários naturalmente se questionam sobre seu lugar, e a função do líder é assegurar que eles podem continuar a fazer contribuições significativas.
Ao reconhecer a profunda expertise que os membros da equipe já possuem e direcioná-los para novas funções significativas, o líder facilita a transição e a aceitação do futuro, transformando potenciais receios em oportunidades de contribuição renovada.
A especialista ilustra essa transição com um exemplo histórico: a substituição das carruagens puxadas por cavalos pelos automóveis, há mais de um século. Um mestre construtor de carruagens, embora temesse sua irrelevância, possuía experiência e habilidades adaptáveis ao design de veículos de quatro rodas impulsionados por uma nova tecnologia. Reconhecer a profunda expertise dos membros da equipe e oferecer-lhes novos desafios significativos é fundamental para o sucesso dessa fase.
Por fim, uma vez que a equipe compreende a decisão e os indivíduos enxergam como podem continuar a ser valiosos para o sucesso organizacional, é crucial ajudá-los a honrar coletivamente o trabalho do qual se orgulham. Isso pode ser feito através do reconhecimento público de suas conquistas, como um destaque em redes sociais profissionais ou uma nota interna abrangente que ressalte como o projeto pavimentou o caminho para novas iniciativas.
Tal reconhecimento reforça a percepção de que seu trabalho teve impacto e permite fechar o capítulo de forma positiva. Cabe ao líder dedicar tempo para oferecer clareza nas decisões, uma nova direção para as pessoas e o devido reconhecimento das realizações passadas, tornando a transição para novas prioridades organizacionais menos difícil e construindo otimismo e energia em relação ao futuro da equipe.