Estudo aprofunda como gestores avaliam credibilidade da voz indireta dos empregados

Pesquisa do Academy of Management Journal revela fatores que moldam a percepção gerencial sobre relatos de terceiros acerca de feedback de funcionários.

03/12/2025 às 08:04
Por: Redação

Um estudo inovador, intitulado "Not Just Hearsay and Rumor: How Managers (Actually) Perceive the Credibility of Secondhand Accounts of Employee Voice", publicado no renomado Academy of Management Journal, investiga como os gestores realmente avaliam a credibilidade das informações recebidas de segunda mão sobre a voz dos funcionários. A pesquisa, conduzida por Taeya M. Howell, Stephen R. Stubben, Kyle T. Welch e Ethan R. Burris, desmistifica a percepção de que tais relatos são meros boatos, oferecendo uma compreensão mais profunda sobre os processos de julgamento gerencial.

 

A compreensão da voz dos empregados é crucial para a saúde organizacional e a tomada de decisões estratégicas. No entanto, muitas vezes, essa voz não chega diretamente aos tomadores de decisão, sendo filtrada por colegas ou outros níveis hierárquicos. Os autores exploram os mecanismos cognitivos e contextuais que influenciam a confiança que um gerente deposita em um feedback que não ouviu em primeira mão, examinando variáveis que vão além da mera fofoca.

 

Mecanismos de avaliação de credibilidade

A investigação detalha os múltiplos fatores que contribuem para a avaliação da credibilidade gerencial. Entre eles, destacam-se a fonte do relato indireto – ou seja, quem está retransmitindo a mensagem do funcionário – e as características do próprio conteúdo do feedback. A pesquisa sugere que gestores empregam uma série de heurísticas e análises situacionais para determinar se um relato de segunda mão é confiável o suficiente para guiar suas ações e decisões estratégicas.


Os pesquisadores argumentam que a percepção de credibilidade em relatos de segunda mão é um processo complexo, influenciado por mais do que apenas a natureza do "ouvir dizer", desafiando a visão simplificada de que feedback indireto carece inerentemente de validade.


As descobertas possuem implicações significativas para a comunicação interna e as políticas de gestão de pessoas. Ao entenderem melhor como a credibilidade é construída e percebida, as organizações podem desenvolver estratégias mais eficazes para garantir que a voz dos empregados, mesmo quando transmitida indiretamente, seja levada a sério e utilizada para promover um ambiente de trabalho mais engajador e produtivo.

 

Impactos práticos para a gestão organizacional

O estudo realça a necessidade de líderes e gestores estarem conscientes dos vieses e dos critérios que utilizam ao interpretar informações de terceiros. Isso inclui a capacidade de discernir entre rumores infundados e feedback valioso que pode impactar a moral, a produtividade e a retenção de talentos. A pesquisa sugere que o treinamento gerencial pode ser fundamental para aprimorar essas habilidades de avaliação de credibilidade, levando a decisões mais informadas e justas.


Os autores enfatizam que aprimorar a forma como a voz do funcionário é percebida e utilizada, independentemente de sua origem, é essencial para cultivar uma cultura organizacional transparente e responsiva.


Em um cenário corporativo cada vez mais dinâmico, onde a comunicação interna é desafiada pela complexidade das estruturas e pela diversidade das equipes, a pesquisa de Howell, Stubben, Welch e Burris oferece um roteiro valioso para gestores que buscam otimizar o fluxo de informações e garantir que o feedback dos funcionários não seja subestimado. Os desdobramentos deste trabalho podem levar a novas abordagens na construção de canais de comunicação mais robustos e na capacitação de lideranças mais empáticas e eficazes.

 

A relevância deste estudo transcende o campo acadêmico, oferecendo ferramentas conceituais para que empresas e organizações possam reavaliar suas práticas de escuta interna. Ao reconhecer o potencial e a complexidade da voz dos empregados transmitida de segunda mão, é possível fomentar um ambiente onde cada perspectiva, mesmo que indireta, contribua para a inovação e o bem-estar coletivo, fortalecendo a confiança entre todos os níveis da hierarquia corporativa.

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