Mais criatividade não garante maior inovação nas equipes

Estudo desafia a ideia de que mais criatividade sempre leva a melhores resultados inovadores.

02/12/2025 às 13:41
Por: Redação

A relação entre a quantidade de membros criativos em uma equipe e a inovação gerada por ela não é tão linear quanto parece. Pesquisas indicam que um grande número de pessoas criativas não garante, necessariamente, maiores inovações. Este entendimento é resultado de um estudo conduzido por Prithviraj Chattopadhyay, professor de Comportamento Organizacional da Cambridge Judge Business School.

 

A pesquisa liderada por Chattopadhyay contesta a visão tradicional de que a inclusão de mais indivíduos criativos em uma equipe sempre resulta em maior rendimento inovador. Segundo o estudo, a interação social e profissional entre os membros pode, na verdade, impactar negativamente o desempenho, se não forem devidamente gerenciadas. Membros criativos, frequentemente, se tornam centros de conflitos internos, dificultando a coordenação da equipe.

 

Conciliando visões contraditórias sobre criatividade

O estudo do professor Chattopadhyay busca harmonizar os resultados de pesquisas diversas que exploram o papel inovador dos membros criativos das equipes e os custos ocultos associados. Entre os custos, estão o elevado consumo de recursos que esses membros frequentemente demandam. A pesquisa revela que há uma relação em formato de U invertido entre a proporção de membros criativos e o grau de inovação da equipe.


"A suposição tradicional era que mais pessoas criativas resultariam em maior produtividade, mas mostramos que não é tão simples", explica Prithviraj.


Nesse contexto, equipes de P&D superlotadas de membros criativos podem enfrentar problemas de coordenação e elevados níveis de conflito que prejudicam a performance inovadora geral.

 

A influência da gestão de recursos humanos

A pesquisa também investiga como práticas de gestão participativa e a dispersão salarial afetam a citada curva em U. Uma gestão participativa e um diferencial de pagamento entre os membros podem, inesperadamente, intensificar a curva em U invertido relativa à inovação. Em situações onde a participação ou a dispersão salarial são baixas, a relação torna-se linear e positiva.


A pesquisa sugere cautela ao aplicar práticas de RH que visem amenizar ou encorajar a inovação sem considerar a composição da equipe.


Esses achados confirmam os conceitos principais de que proporções mais altas de membros criativos não se traduzem automaticamente em maiores níveis de inovação coletiva.

 

A importância do equilíbrio em equipes criativas

Chattopadhyay destaca que formar equipes criativas requer equilíbrio, não apenas grandes números. As descobertas mostram que o suporte e a colaboração dentro das equipes são mais importantes do que um elevado número isolado de membros criativos.


"A implicação prática é reconhecer as forças e fraquezas da equipe de forma individual e coletiva ao montá-la", afirma o pesquisador.


As conclusões reforçam também a necessidade de cautela com práticas de RH que, mesmo bem intencionadas, podem ter o efeito contrário em equipes compostas por muitos criativos.

 

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