A relação entre a quantidade de membros criativos em uma equipe e a inovação gerada por ela não é tão linear quanto parece. Pesquisas indicam que um grande número de pessoas criativas não garante, necessariamente, maiores inovações. Este entendimento é resultado de um estudo conduzido por Prithviraj Chattopadhyay, professor de Comportamento Organizacional da Cambridge Judge Business School.
A pesquisa liderada por Chattopadhyay contesta a visão tradicional de que a inclusão de mais indivíduos criativos em uma equipe sempre resulta em maior rendimento inovador. Segundo o estudo, a interação social e profissional entre os membros pode, na verdade, impactar negativamente o desempenho, se não forem devidamente gerenciadas. Membros criativos, frequentemente, se tornam centros de conflitos internos, dificultando a coordenação da equipe.
O estudo do professor Chattopadhyay busca harmonizar os resultados de pesquisas diversas que exploram o papel inovador dos membros criativos das equipes e os custos ocultos associados. Entre os custos, estão o elevado consumo de recursos que esses membros frequentemente demandam. A pesquisa revela que há uma relação em formato de U invertido entre a proporção de membros criativos e o grau de inovação da equipe.
"A suposição tradicional era que mais pessoas criativas resultariam em maior produtividade, mas mostramos que não é tão simples", explica Prithviraj.
Nesse contexto, equipes de P&D superlotadas de membros criativos podem enfrentar problemas de coordenação e elevados níveis de conflito que prejudicam a performance inovadora geral.
A pesquisa também investiga como práticas de gestão participativa e a dispersão salarial afetam a citada curva em U. Uma gestão participativa e um diferencial de pagamento entre os membros podem, inesperadamente, intensificar a curva em U invertido relativa à inovação. Em situações onde a participação ou a dispersão salarial são baixas, a relação torna-se linear e positiva.
A pesquisa sugere cautela ao aplicar práticas de RH que visem amenizar ou encorajar a inovação sem considerar a composição da equipe.
Esses achados confirmam os conceitos principais de que proporções mais altas de membros criativos não se traduzem automaticamente em maiores níveis de inovação coletiva.
Chattopadhyay destaca que formar equipes criativas requer equilíbrio, não apenas grandes números. As descobertas mostram que o suporte e a colaboração dentro das equipes são mais importantes do que um elevado número isolado de membros criativos.
"A implicação prática é reconhecer as forças e fraquezas da equipe de forma individual e coletiva ao montá-la", afirma o pesquisador.
As conclusões reforçam também a necessidade de cautela com práticas de RH que, mesmo bem intencionadas, podem ter o efeito contrário em equipes compostas por muitos criativos.